Deus é amor [e justiça] (Êx 7—12)

1ª praga: Passaram-se sete dias desde que o SENHOR feriu o Nilo (7.25)

2ª praga: O faraó mandou chamar Moisés e Arão e disse: “Orem ao SENHOR para que ele tire estas rãs de mim e do meu povo”. (…) E o SENHOR atendeu o pedido de Moisés; morreram as rãs que estavam nas casas, nos pátios e nos campos. (8.8,13)

3ª praga: Os magos disseram ao faraó: “Isso é o dedo deDeus”. (8.19)

4ª praga: E assim fez o SENHOR. Grandes enxames de moscas invadiram o palácio do faraó e as casas dos seus conselheiros, e em todo o Egito a terra foi arruinada pelas moscas. (8.24)

5ª praga: No dia seguinte o SENHOR o fez. Todos os rebanhos egípcios morreram, mas nenhum rebanho dos israelitas morreu. (9.6)

6ª praga: Disse mais o SENHOR a Moisés e a Arão: “Tirem um punhado de cinza de uma fornalha, e Moisés a espalhará no ar, diante do faraó. Ela se tornará como um pó fino sobre toda a terra do Egito, e feridas purulentas surgirão nos homens e nos animais em todo o Egito”. (9.8-9)

7ª praga: O SENHOR fez vir trovões e granizo, e raios caíam sobre a terra. Assim o SENHOR fez chover granizo sobre a terra do Egito. (9.23)

8ª praga: O SENHOR fez soprar sobre a terra um vento oriental durante todo aquele dia e toda aquela noite. Pela manhã, o vento havia trazido os gafanhotos (…) E o SENHOR fez soprar com muito mais força o vento ocidental, e este envolveu os gafanhotos, e os lançou no mar vermelho. (10.13,19)

9ª praga: O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão para o céu, e trevas cobrirão o Egito, trevas tais que poderão ser apalpadas” (10.21)

10ª praga: Então, à meia-noite, o SENHOR matou todos os primogênitos do Egito, desde o filho mais velho do faraó, herdeiro do trono, até o filho mais velho do prisioneiro que estava no calabouço, e também todas as primeiras crias do gado. (12.29

C. S. Lewis escreveu que “Deus é o nosso único alento, mas também o nosso terror supremo; é a coisa de que mais precisamos, mas também da qual mais queremos nos esconder” (Cristianismo puro e simples, p. 42). No episódio das pragas, Deus fez questão de deixar claro que ele era o responsável pelas calamidades, seja diretamente, sem nenhum auxílio (pragas 1,2,3,4,5,7,8,10), seja por meio de Moisés, dando-lhe instruções (2,6,9).

Isso está registrado para que sempre nos recordemos de que Deus é fogo consumidor, que terrível coisa é cair nas mãos do Deus Vivo, que devemos temer aquele que não pode somente matar o corpo, mas que pode lançar no inferno tanto o corpo quanto a alma.

Está na moda pregar que Deus é amor, gracioso e misericordioso. Nada disso é mentira. Deus realmente possui todos esses atributos (Ufa!). No entanto, é muito perigoso contar apenas com isso e desconsiderar o atributo da justiça de Deus. Quando pensamos que ele é amoroso e não pune o pecado, nosso entendimento dele fica incompleto. Quando desprezamos o lado da justiça de Deus, como resultado, começamos a viver a nossa vida de qualquer maneira, pois deixamos de acreditar no castigo, afinal, “Deus é amor e Ele só quer que eu seja feliz. Deixe-me então viver a felicidade à minha maneira”. O problema passa talvez pela ideia equivocada de que o objetivo da existência é a felicidade, seja pessoal, seja comunitária.

Confiar no amor divino para o perdão dos pecados é critério necessário para a salvação. É pela fé em seu Filho que recebemos a vida eterna. No entanto, banalizar o amor divino desprezando, ao mesmo tempo, seu atributo de justiça e ira, acaba sendo uma armadilha terrível que nos afasta dele. Ter sempre em mente seu aspecto terrível faz com que a gente viva dependente de sua misericórdia.

Que o Senhor me ajude a todos os dias trazer à memória a necessidade que tenho dele e viver uma vida de temor, porque Deus é poderoso o suficiente (e justo o suficiente também) para realizar em minha vida calamidades como as pragas do Egito, e até mesmo me lançar no inferno. Tem misericórdia de mim, ó Deus, e me dê o temor e o tremor de que preciso para viver em obediência.

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

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Mero instrumento para as palavras divinas (Êx 4.11)

Disse-lhe o Senhor: “Quem deu boca ao homem? Quem fez o surdo ou o mudo? Quem lhe concede vista ou lhe torna cego? Não sou eu, o SENHOR?

Esta é só mais uma das muitas passagens onde o Senhor deixa bem claro que é dele o controle de todas as coisas, até mesmo de nossas faculdades e sentidos. Assim como cega quem quer, ele também dá a vista a quem quer. É ele quem nos dá a capacidade para falar. Então, a desculpa de Moisés, dizendo que não sabia falar, revelava sua falta de confiança ou de conhecimento em um Deus que podia soltar a sua língua e fazer dele um orador excelente.

Muitas vezes esta é a minha desculpa. Não sei falar, não sei me expressar, tenho medo de ser rejeitada ou hostilizada, de parecer fanática ou intolerante etc.  Eu constantemente me esqueço de que o controle não é meu. Se Deus quiser, ele vai preparar as palavras da maneira como devem ser ditas (isso é verdade, mas é tão difícil confiar!!!). Entregando a Deus a minha vida, eu deveria entender que é minha obrigação falar, mas que esse falar não vem de mim, até mesmo para evitar o orgulho de atribuir à minha capacidade um possível sucesso.

Saber que a obra é do Espírito Santo deveria ser um incentivo para falar, pois eu me reduzo ao meu lugar, o de mero instrumento. Tenho falhado feio nisso. Preciso orar mais e pedir a Deus que me ensine a confiar plenamente nessa soberania sobra a qual tenho estudado, e que aumente o meu interesse pelas outras pessoas para compartilhar o evangelho, entregando todos os resultados à vontade divina.

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

Eleição do mais fraco (Êx 3.19-21)

Eu sei que o rei do Egito não os deixará sair a não ser que uma poderosa mão o force. Por isso estenderei a minha mão e ferirei os egípcios com todas as maravilhas que realizarei no meio deles. Depois disso ele os deixará sair. E farei que os egípcios tenham boa vontade para com o povo, de modo que, quando vocês saírem, não sairão de mãos vazias.

Algumas observações:

  1. Observe os verbos no futuro. Deus estava prevendo o que aconteceria? Não! Ele estava simplesmente anunciando acontecimentos que ele já havia determinado. Aqui não se revela meramente a presciência de Deus, mas sim a sua vontade quanto ao que ocorreria. A vontade divina é soberana, é certa. Por isso Deus aplica o futuro perfeito, porque não tem como dar errado. Todo o episódio está sob o controle dele. A “mão poderosa” é dele. O verbo “ferirei” (v. 20) está na 1ª pessoa do singular, assim como os outros verbos (eu farei que, realizarei, estenderei). Por isso, não podemos nos deixar confundir pela sua declaração inicial “Eu sei que…” e interpretar erroneamente esse texto e os que seguem somente como se Deus soubesse de tudo em sua presciência e não interferisse em nada. Deus é quem executa, ele é o principal agente. Ele é o responsável pelo retorno de Moisés, pelas pragas, pela saída do povo do Egito, abertura do mar vermelho etc.
  2. Deus está anunciando que ferirá o Egito com maravilhas. Essas “maravilhas” são, na verdade, as pragas. Todos sabem bem que as pragas não surgiram por acaso. Foi o próprio Deus quem as enviou porque foi dessa maneira que ele decidiu realizar os seus propósitos. Isso não isenta o Egito de sua culpa.
  3. Deus tinha planos de paz para Israel e planos de mal para o Egito. O Egito era culpado e responsável pelo seu pecado de idolatria e crueldade. Mas Israel também era culpado, havia muitos e muitos anos que eles não viviam em relacionamento com o Senhor. Tanto que eles já estavam acostumados com as práticas idólatras do Egito e tanto Moisés como os demais hebreus tiveram que perguntar-lhe quem ele era. Deus teve que se apresentar como o Deus de seus pais, o Eu Sou. Isso significa que, em termos de merecimento, não havia diferença alguma entre Israel, Egito ou qualquer outra nação. Todos mereciam a condenação justa por haverem se rebelado e negado o Senhor como o único Deus. Por que Deus agiu com bondade para com Israel? Por graça, puramente, por dar o bem àquele que não merece. Isso é graça. Ele os escolheu, o menor de todos os povos, o mais desprezado, o mais fraco, mais sujeito ao pecado. Este foi o escolhido.

Quando penso em minha situação de miséria espiritual, chego a me perguntar: Será que estou realmente salva? Será que Deus me escolheu? Veja o meu estado! Mas olhar para Israel me enche de esperança porque eu vejo que os que Deus escolhe são os mais fracos, são os incapazes de salvar-se a si mesmos.

Sei que Deus nos escolheu para sermos santos, e perceber que não estou vivendo em santidade é o que às vezes me faz duvidar de minha eleição. Isso deve ser trabalhado assim como Deus preparou e disciplinou seu povo no deserto. Que o Senhor trabalhe em minha vida, trate a minha rebeldia e me dê piedade e uma vida em santidade. Esta é minha oração.

 

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

E agora, José? O Senhor está com você! (Gn 39.9,21,23)

“Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?” (…) Mas o SENHOR estava com ele e o tratou com bondade (…). O carcereiro não se preocupava com nada do que estava a cargo de José, porque o SENHOR estava com José.

Todo pecado e, primeiramente, um pecado contra Deus. E, ao resistirmos ao pecado, deveríamos fazê-lo por temor ao Senhor, pelo prazer em agradá-lo e não por qualquer outro motivo além desse.

José não disse: “Sinto muito, senhora, não posso fazer isso porque o seu marido foi bom comigo”. Nem disse: “Não posso fazer isso porque sou um homem honesto”. O maior motivo da recusa de José foi o de que ele não podia pecar contra Deus, não podia ofender a Deus com o seu pecado.

Deus, por sua vez, estava com José. Esta é uma afirmação que até se repete, para dar ênfase, para mostrar a nós que, quando Deus decide se relacionar com uma pessoa, Ele não volta atrás. Ele está com os seus até mesmo em situações difíceis e aparentemente injustas.

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

A fertilidade de Lia, a esterilidade de Raquel e a soberania de Deus (Gn 29 e 30)

(…) Lia engravidou, deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Rúben, pois dizia: “O SENHOR viu a minha infelicidade” (…). Lia engravidou de novo e, quando deu à luz mais um filho, disse: “Porque o SENHOR ouviu que sou desprezada” (…). Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais um filho, disse: “Desta vez louvarei ao SENHOR” (…). Deus ouviu Lia, e ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho. Disse Lia: “Deus me recompensou por ter dado minha serva a meu marido” (…). Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto filho. Disse Lia: “Deus presenteou-me com uma dádiva preciosa” (…). [Gênesis 29.32 —30.20]

Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã. Por isso disse a Jacó: “Dê-me filhos ou morrerei”. Jacó ficou irritado e disse: “Por acaso estou no lugar de Deus, que a impediu de ter filhos?” (…) Então lembrou-se Deus de Raquel (…). Ela engravidou, e deu à luz um filho e disse: “Deus tirou de mim a minha humilhação”. [Gênesis 30.1-2,22-23]

A fertilidade, tanto feminina quanto da terra, era uma bênção divina. Em outras culturas também se atribuía aos deuses a função de permitir ou impedir que uma mulher gerasse um bebê ou que se tivesse sucesso nas colheitas.

Na cultura hebreia, sobretudo, era atribuído ao SENHOR, a YHWH, o poder de abrir e de fechar a madre. Havia essa consciência bem clara naqueles indivíduos.

Jacó provavelmente havia aprendido com Isaque e Rebeca acerca do Deus YHWH. Seus pais, por sua vez, aprenderam com Abraão e Sara, que aprenderam com o próprio Deus, que os chamou de uma terra idólatra e se revelou a eles.

Sendo assim, como Lia pôde atribuir a YHWH, e a nenhuma outra divindade a dádiva da maternidade, que naquele contexto era essencial para a realização feminina e o respeito na sociedade? Seu Pai, Labão, não era temente ao Deus dos hebreus, ele tinha suas próprias divindades (31.30-32). Independentemente do modo como Deus havia se revelado para ela (pode ter sido por meio de Jacó), Lia sabia que era YHWH (traduzido como SENHOR, em versalete), e nenhum outro, o Deus capaz de presentear-lhe com um filho e soube ser grata a cada novo nascimento. Lia sofria com a humilhação de ser a preterida de seu marido, embora fosse a esposa oficial, a primeira. E Deus a honrou dando-lhe mais filhos do que todas as outras matriarcas juntas. Além disso, ela é a mãe de Judá, tribo original de Davi e de nosso Senhor Jesus.

Por outro lado, Raquel era a favorita, mas também se considerava humilhada porque era estéril. Ela parecia confiar mais na capacidade de reprodução do marido do que em Deus. Ela pensava que era por vontade de Jacó que Lia tinha tantos filhos, enquanto ela não gerava nenhum. Jacó, sim, era consciente de que a fertilidade não cabia a ele, mas a Deus (v. 2). Raquel demorou para entender quem era o doador da vida e da madre, e ainda fez tentativas frustradas para engravidar, como se dependesse de alguma atitude dela (30.14-16). Entretanto, no momento determinado, O Senhor se lembrou de Raquel e a agraciou com um filho. Naquele momento, ela se lembrou do Senhor e reconheceu que era ele o responsável por sua madre.

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

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Ló fugiu de Sodoma contra a sua vontade? (Gn 19.15-16)

Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: “Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada.” Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o SENHOR teve misericórdia deles.

Aqui está um dos melhores exemplos, para mim, de que Deus é soberano inclusive no que diz respeito à salvação. Deus já havia falado a Abraão que em Sodoma não havia nem mesmo dez justos. Provavelmente o único justo era Ló e, mesmo assim, só podemos entender essa qualidade de Ló como algo passivo. Talvez a melhor expressão seria “justificado” ou “alvo da compaixão de Deus”. Digo isto porque esta passagem deixa claro o quão apegado Ló era àquela cidade pecadora e condenada. Vejamos:

1º – Os anjos chegaram em Sodoma “ao anoitecer” (19.1), foram recebidos por Ló na porta da cidade. Estar à porta da cidade era indício de que Ló era um homem distinto e influente em sua cidade. Já em casa, os anjos lhe contaram que Deus estava por destruir a cidade e que ele e sua família precisavam ir embora (v. 12-13). Será que Ló saiu imediatamente? Não! “Ao raiar o dia” (v. 15) Ló ainda estava dentro de sua casa com sua família!!! E os anjos “insistiam” para que eles saíssem imediatamente! Era como se Ló não quisesse sair.

2º – Ló havia dado suas duas filhas em casamento a homens da cidade, ele certamente sabia que seus genros não adoravam ao Deus YHVH, mesmo assim havia cedido. Ló estava totalmente envolvido em Sodoma.

3º – Mesmo após a insistência dos anjos que avisaram quanto à destruição total de Sodoma e Gomorra, Ló ainda hesitava (v. 16).

4º – Se Ló saiu da cidade, não foi por sua própria vontade. O versículo 16 diz que os anjos o agarraram pela mão, a ele, sua esposa e filhas e os tiraram dali à força.

Para mim, este episódio deixa claro que, se Ló e suas filhas se salvaram da destruição da cidade, foi porque Deus quis tirá-los de lá. Se dependesse da vontade dessa família, o castigo teria caído sobre a casa dela também, mesmo sabendo da ameaça e promessa divinas!

Existe uma realidade: Deus prometeu que punirá o pecado e vai cumprir a promessa. Se a vida eterna é real aos que pertencem a Cristo, o sofrimento eterno também é real aos que não pertencem. A Bíblia diz, no entanto, que não há justo sobre a terra, não há ninguém que faça o bem e que decida por sua própria vontade e com os seus próprios pés abandonar a cidade condenada. Hesitamos ainda que a verdade chegue aos nossos ouvidos porque somos muito apegados a este mundo.

Muitas pessoas argumentam que a doutrina da eleição é injusta. Elas dizem: “Por que Deus salvaria uns e não salvaria outros? Por que a culpa será minha se eu for para o inferno? Se é Deus quem escolhe, a culpa é dele, oras!” Eu também pensava assim e usava esse mesmo argumento. Mas, graças ao Espírito Santo que tem me permitido entender melhor tudo isso, hoje vejo que um pensamento assim é absurdo! Porque todos já estamos debaixo da condenação. Todos queremos o que é mau, todos amamos Sodoma, nossa cidade pecaminosa. Se o Senhor deixasse com o homem a escolha, NINGUÉM seria salvo! Todos estaríamos condenados! Porque ninguém quer sair de Sodoma, mesmo tendo o conhecimento da verdade.

Porém, assim como Ló e suas filhas se salvaram do fogo que Deus derramou sobre aquela cidade, muitos de nós podemos contar com a salvação do inferno. No entanto, devemos observar nessa história que eles só foram salvos porque os anjos os puxaram pela mão e os tiraram dali à força, “porque o SENHOR teve misericórdia deles” (v. 16). Se não fosse isso, eles teriam perecido como todos os outros, e de maneira ainda mais justa, uma vez que sabiam o que estava para acontecer.

Nós também só somos salvos porque Alguém veio e “nos tirou do império das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho Amado” (Colossenses 1.13, ênfase minha). Não saímos do império das trevas sozinhos, nem nos transportamos para o Reino de Cristo pelos nossos próprios métodos. É o Senhor que vem, nos retira de um lugar para nos colocar em outro. Ele faz sozinho, não podemos contribuir com nada, a não ser com a fé, e mesmo ela não vem de nós, mas é um dom de Deus (Efésios 2.8).

Graças devemos dar a Deus, que separou os seus antes da fundação do mundo e nos livrou da condenação eterna. Obrigada, Senhor, porque o Senhor se compadeceu de mim e estou certa de que, apesar de tanta imundície que é a minha vida, Jesus Cristo, ao se entregar na cruz, pensou em mim também. Se todos os nomes escritos naquele precioso livro vieram à sua memória naquele momento, tenho em mim a certeza que o seu Espírito me dá, que meu nome foi lembrado. É provável que no instante em que Cristo pensou em mim naquela cruz, a dor deve ter ficado mais forte, bem mais forte, porque foram terríveis os meus pecados que Ele assumiu ali.

Ajuda-me a me lembrar disso quando vierem as tentações e que o sangue de Jesus Cristo me purifique de todo pecado.

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A graça de Deus na vida de Enoque (Gn 5.22-24)

Depois que gerou Matusalém, Enoque andou com Deus 300 anos e gerou outros filhos e filhas. Viveu ao todo 365 anos. Enoque andou com Deus, e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado.

Há pouco tempo escutei um pregador (não me lembro quem era) chamar a atenção para o fato de que Enoque começou a andar com Deus depois do nascimento de seu filho, Matusalém. Ou seja, houve um tempo em que ele andou sem Deus, que seriam os seus primeiros 65 anos de vida. Algo aconteceu e o SENHOR se revelou a Enoque naquele momento de maneira tão impactante, que esse homem viveu mais 300 anos tão próximo a Deus que este decidiu arrebatá-lo sem passar pela morte.

A soberania divina mais uma vez é revelada aqui. A Bíblia afirma que “o salário do pecado é a morte”, também diz que nesta terra “não há justo, nem um sequer”. Enoque era filho de filhos de Adão, nasceu em pecado. Seus primeiros 65 anos distantes do SENHOR certamente foram suficientes para que a sua natureza pecaminosa fosse confirmada. E, ainda que depois ele tenha recebido capacitação para viver 300 anos em santidade (o que não significa que não tenha mais pecado algum, isso seria um milagre, já que mesmo alguém regenerado não consegue ficar um dia sem pecar), ainda assim ele era um pecador (alcançado pela graça? Sim, mas era um pecador). Então, por que não passou pela morte?

O SENHOR não nos dá essa resposta e nem precisa nos dar explicações! Deus simplesmente quis levar Enoque vivo para si (e o mesmo fez com Elias). Essa foi a sua vontade e quem poderia contrariá-la? Sua vontade é tão soberana que está acima até mesmo da regra universal de que todo homem, nascido de mulher, enfrentará um dia a morte. Até mesmo para Jesus Cristo (é claro, por sua vontade, a fim de cumprir seu propósito eterno) essa regra valeu.

No entanto, se Deus decidiu: “Enoque, ainda que tenha nascido em pecado, não sofrerá a morte física”, pronto! Não há ninguém que possa se apresentar diante de Deus com aquele tom arrogante de eu-sei-mais-que-todo-mundo e dizer: “Mas o Senhor não pode fazer isto! Está aqui [aponta para o livro de regras], está escrito no artigo tal, parágrafo tal que todo homem deve morrer. O Senhor precisa se submeter a essa regra!” Isso chega a ser até ridículo porque foi o próprio Deus quem estabeleceu essa regra, como castigo pelo pecado, mas poupou Enoque.

Outras pessoas poderiam argumentar: “Mas é injusto! Por que poupou Enoque e não poupou Noé, por exemplo, que também é descrito como alguém que andava com Deus? E eu? Eu também ando com Deus! Será justo eu morrer e Enoque não?” Eu acredito que para essas pessoas a resposta é a mesma que Paulo utilizou em Romanos 9.14-16, a respeito da soberania de Deus e a doutrina da eleição.

Pensando em um propósito para esse episódio, eu creio também que Deus, ao arrebatar Enoque e, posteriormente, Elias, estava prenunciando o arrebatamento de todos os santos que estiverem vivos e andando com Ele na ocasião da Segunda Vinda de Cristo, evento futuro que devemos aguardar com expectação.

[Este texto é fruto de meu plano de estudo bíblico pessoal a respeito da soberania de Deus. Leia sobre isso aqui.]

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